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Reportagens-Links

Reportagem:

O papel da Educação

A escola é um local em que é necessário combater o preconceito."Alguns pais acham que a escola inclusiva anda para trás porque o ensino piora com a presença de alunos com deficiência", diz Palencia. "Como vivemos num mundo em que todos querem competir para ter sucesso, talvez andar para trás, no sentido de diminuir um pouco esse compasso frenético, seja positivo". Ele lembra que, normalmente, quando bate o sinal na hora da saída, todos correm alucinados em direção à porta da sala: "Se há um colega em cadeira de rodas, porém, eles aprendem a esperar, a ajudá-lo e acompanhá-lo."

A inclusão ensina a tolerância para todos que estão diariamente na escola e para a comunidade."Achegada das crianças com deficiência está provacando uma grande reflexão", observa Dorian. Por isso, os especialistas afirmam que a inclusão escolar é uma revolução silenciosa. Para que ela aconteça, no entanto, toda a equipe deve pensar em conjunto. A idéia precisa estar incluída na proposta pedagógica e levar todos a conhecer melhor o assunto. Quando não há informação, se torna angustiante para o professor receber esse aluno e lidar com ela. O trabalho em equipe leva todos educadores e funcionários a desempenhar de maneira mais eficiente seu papel nessa área.

 

Atitudes do Educador que Inclui

  • Procura conhecer a legislação que garante o direito à Educação das pessoas com deficiência.

  • Exige auxílio, estrutura, equipamentos, formação e informações da rede de ensino.

  • Deixa claro aos alunos que manifestações preconceituosas contra quem tem deficiência não serão toleradas.

  • Não se sente despreparado e, por isso, não rejeita o aluno com deficiência.

  • Pesquisa sobre as deficiências e busca estratégias escolares de sucesso.

  • Acredita no potencial de aprendizagem do aluno e na importância da convivência com ele para o crescimento da comunidade escolar.

  • Organiza as aulas de forma que, quando necessário, seja possivel dedicar um tempo específico para atender às necessidades específicas de quem tem deficiência.

  • Se há preconceito entre os pais, mostra a eles nas reuniões o quanto a turma toda ganha com a presença de alguém com deficiência.Apoia os pais dos alunos com informações.                   

    FONTE: Revista Nova Escola, Nº 198, Out. de 2006, Pág. 36.

 

       No site www.scslat.org  entre no link Publicações e faça o download da pesquisa Aprendendo sobre os Direitos da Criança e do Adolescente com Deficiência.

                                                                       (Rita Freiberger)

 

  • 08 de fevereiro de 2008 | N° 15504- l Zero Hora

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      ARTIGO

      Inclusão na educação, por Eduardo Jablonski

       

      Vários professores mais preparados do que eu já devem ter enfrentado a experiência de lidar com alunos portadores de necessidades especiais. A primeira vez que isso aconteceu comigo foi em 1999, quando ministrava aula de Espanhol num colégio particular. No primeiro dia letivo, me espantei ao notar a presença de deficiente mental em grau máximo. Fiquei com medo não por preconceito (que, por sorte, não tenho), mas porque não sabia como trabalhar com ele, nunca havia lido nada a respeito, não tinha noção de como proceder. Então, dei aula normal para todos e me surpreendi mais uma vez: o referido aluno era o meu melhor - o mais comportado e o mais inteligente. Completou os exercícios de forma correta e com alguma rapidez. Outra coisa linda foi que os demais alunos o protegiam, o respeitavam. Debochavam e ridicularizavam todos os demais, porém o especial eles cuidavam. Nunca tinha visto crianças e adolescentes agirem assim.

      O segundo caso (e por enquanto o último) aconteceu em 2006, quando eu ministrava aula de Inglês Instrumental em faculdade. Havia uma aluna com retardamento mental leve. Tinha problemas na fala e demorava 10 vezes mais que os outros para terminar as tarefas, mas era extremamente inteligente e não errava nada nunca. Em termos intelectuais, superava a maioria dos meus alunos.

      Só para fazer comparação, sempre que tenho alunos que trabalham de maneira intensa oito, nove, 10 ou até 12 horas por dia, essas pessoas vêm muito cansadas e enfrentam dificuldades para aprender. Portanto, não têm problemas de aprendizagem, têm cansaço mesmo.

      Talvez por preguiça ou por não ter encontrado ainda um livro que aborde o tema educação para alunos portadores de necessidades especiais, ainda não estudei o assunto. Mas percebi que esses alunos não apresentam diferenças radicais. Basta lidar com eles tendo paciência, carinho e sem preconceito, que tudo se resolve.

      Devido às minhas duas experiências positivas, sou a favor da inclusão dessas pessoas na educação regular. Não acredito que precisem existir colégios apropriados. Porém os professores têm de se preparar (eu inclusive), ler a respeito, talvez aprender atividades mais apropriadas, talvez ter noção da língua dos sinais (para caso recebam alunos que necessitem). Outra sugestão é que os colégios, nos cursos de formação que sempre oferecem aos docentes duas ou três vezes ao ano, incluam alguma coisa a respeito. Mas, de qualquer forma, é bonito ter essa experiência. Elas são pessoas que precisam de professores dispostos a ajudar.

       

      EDUARDO JABLONSKI | Professor, mestre em Letras (UFRGS)

       

      Link de acesso ao artigo: Inclusão na Educação

       

                                                                  (Rita Freiberger)

       

       

       

      Artigo para a Revista Nova Escola

       

               O papel do gestor e do coordenador pedagógico para tornar a Escola Inclusiva.

                 

       

                  Oferecer um ensino de qualidade que atenda às diferenças e garanta o pleno desenvolvimento de todas as crianças não é tarefa fácil e demanda profundas transformações na escola que temos hoje. Torna-se necessário abandonar práticas conservadoras que insistem na idéia de aluno ideal, que aprende através de modelos, com ritmo e tempo preestabelecidos, bem como evitar a adesão a modismos sem fundamentação que intencionam apenas demonstrar uma certa "inovação" e na verdade são pinceladas de atividades "diferentes", só para passar a falsa impressão de que a escola não é tradicional.

       

                  Mas, que transformações são essas? Como, quando e quem as promoverá? Será possível construir uma Escola Inclusiva em ambientes escolares fechados e hierarquizados, onde cada um cumpre a sua tarefa de forma isolada e burocrática?

       

                  São questões que gestores e coordenadores devem levantar para que possam dar os primeiros e decisivos passos na condução de um novo fazer pedagógico e de novas relações no âmbito da comunidade escolar.

       

      Experiências bem sucedidas têm demonstrado que a construção do Projeto Político Pedagógico com a participação e envolvimento de toda a comunidade educativa é o ponto principal para a abertura e o fortalecimento de uma Escola Inclusiva. Assim, cabe ao gestor e coordenador pedagógico criar condições para o pensar e o fazer coletivo articulando ações que valorizem a diversidade do grupo e dêem oportunidade de emancipação a todos.

       

                  Alguns procedimentos abrem possibilidades para a construção dessa proposta:

       

      1. Conhecer a demanda da comunidade, definindo objetivos, metas e ações que atendam aos seus reais interesses, necessidades, aspirações e contemplem objetivamente a qualidade do ensino na sala de aula;

       

      1. Organizar módulos de estudos e reuniões pedagógicas com tempo suficiente para a fundamentação teórica e o desenvolvimento de atividades de planejamento, execução, avaliação e realimentação do Projeto Político Pedagógico, investindo na formação em serviço;

       

      1. Estruturar a escola no sistema de ciclos, valorizando o convívio entre sujeitos da mesma idade ou ciclo de formação/socialização e os diferentes ritmos de aprendizagem, adequando tempos e espaços;

       

      1. Reorganizar o currículo, contemplando o desenvolvimento de competências, habilidades, atitudes e valorizando os alunos em suas peculiaridades, experiências e saberes;

       

      1.  Adotar metodologias voltadas para o estudo de temas multiculturais por possibilitar:
        • A abordagem de questões culturais e sociais relevantes, com as quais os alunos se relacionam para ampliar sua capacidade de entendimento do mundo e de si mesmos, como a relação consumismo x meio ambiente ou planejamento familiar x qualidade de vida;
        • A transversalidade curricular, através da análise global da realidade;
        • O tratamento dos conteúdos acadêmicos como meios para a compreensão dos temas em estudo e não como fins em si mesmos;
        • A diversificação e enriquecimento das atividades de ensino e aprendizagem possibilitando aos alunos estabelecer estratégias de acordo com o seu nível de entendimento do assunto e avançar em seus esquemas de compreensão da realidade;
        • A utilização de processos pedagógicos que oportunizem a interação entre os alunos, promovendo a troca de saberes, a cooperação e a valorização das diferenças;
        • Ampliação dos conhecimentos do professor, uma vez que torna-se necessário muitos estudos e pesquisas dos temas que serão abordados com os alunos.

       

      1. Realizar assembléias que são momentos em que os alunos, professor, coordenador e gestor se reúnem para analisar os problemas existentes na turma, resolver situações de conflito através do diálogo, identificar os pontos positivos e as potencialidades do grupo e estabelecer metas individuais e coletivas para o aperfeiçoamento da aprendizagem e do relacionamento;

       

      1. Adotar uma avaliação formativa e processual, acompanhando o percurso de cada estudante na evolução de suas competências, habilidades e atitudes.  Os avanços e as dificuldades dos alunos podem ser analisados e registrados através de vários instrumentos e situações como portifólios, produções individuais, observações, trabalhos em grupo, debates, provas, conselhos de classe, auto-avaliação e ficha individual. O importante é que o professor tenha dados suficientes para promover o desenvolvimento dos alunos, respeitando e valorizando as peculiaridades de cada um e também para replanejar a sua prática pedagógica.

       

      Todo esse processo demanda muitos estudos, fundamentação, persistência e credibilidade por parte de gestores e coordenadores pedagógicos para que possam ser capazes de sensibilizar e mobilizar todos os professores e funcionários para o atendimento e respeito à diversidade. Tendo a adesão do grupo as ações vão sendo implantadas e a Escola é fortalecida com as várias contribuições. É essencial também o envolvimento com o dia-a-dia da sala de aula orientando, acompanhando e apoiando o professor, que é quem garante o direito fundamental de um ensino de qualidade a todos.

       

      Uma escola com esse perfil cria condições para o desenvolvimento de todos os alunos independentemente da sua condição física, social, intelectual e cultural, pois proporciona um ambiente diversificado e aberto, ampliando as possibilidades de ensino e aprendizagem.

       

      Enfim, abandonar uma cultura educacional enraizada e excludente para adotar novos paradigmas é difícil, mas possível a todos que têm o compromisso com a construção de uma sociedade mais justa.

       

       

       

      Maria do Carmo Andrade Franco da Rosa (Diretora) e Maria Helena Pereira Pelúcio (Coordenadora Pedagógica) da Escola Municipal Profª. Cândida Junqueira CAIC, em Três Corações (MG)

       

      TERMINOLOGIA SOBRE DEFICIÊNCIA

      NA ERA DA INCLUSÃO *

       

       

      Romeu Kazumi Sassaki **

       

      * Trabalho inserido nas seguintes publicações:

       

      VIVARTA, Veet (org.). Mídia e Deficiência. Brasília: Agência de Notícias dos Direitos da Infância / Fundação Banco do Brasil, 2003, p. 160-165.

      VIVARTA, Veet (org.). Medios de comunicación y discapacidad: análisis periodístico desde la óptica de los derechos del niño. Brasília: Save the Children Suecia, Agência de Notícias dos Direitos da Infância e Fundação Banco do Brasil, 2004, p. 160-165.  

      SASSAKI, Romeu Kazumi. Terminologia sobre deficiência na era da inclusão. Revista Nacional de Reabilitação, São Paulo, ano 5, n. 24, jan./fev. 2002, p. 6-9.

       

      ** Consultor de inclusão social e autor dos livros Inclusão: Construindo uma Sociedade para Todos (5.ed., Rio de Janeiro: WVA, 2003) e Inclusão no Lazer e Turismo: em busca da qualidade de vida (São Paulo, Áurea 2003). E-mail: romeukf@uol.com.br

       

      Usar ou não usar termos técnicos corretamente não é uma mera questão semântica ou sem importância, se desejamos falar ou escrever construtivamente, numa perspectiva inclusiva, sobre qualquer assunto de cunho humano. E a terminologia correta é especialmente importante quando abordamos assuntos tradicionalmente eivados de preconceitos, estigmas e estereótipos, como é o caso das deficiências que aproximadamente 14,5% da população brasileira possuem.

      Os termos são considerados corretos em função de certos valores e conceitos vigentes em cada sociedade e em cada época. Assim, eles passam a ser incorretos quando esses valores e conceitos vão sendo substituídos por outros, o que exige o uso de outras palavras. Estas outras palavras podem já existir na língua falada e escrita, mas, neste caso, passam a ter novos significados. Ou então são construídas especificamente para designar conceitos novos. O maior problema decorrente do uso de termos incorretos reside no fato de os conceitos obsoletos, as idéias equivocadas e as informações inexatas serem inadvertidamente reforçados e perpetuados.

      Este fato pode ser a causa da dificuldade ou excessiva demora com que o público leigo e os profissionais mudam seus comportamentos, raciocínios e conhecimentos em relação, por exemplo, à situação das pessoas com deficiência. O mesmo fato também pode ser responsável pela resistência contra a mudança de paradigmas como o que está acontecendo, por exemplo, na mudança que vai da integração para a inclusão em todos os sistemas sociais comuns.

      Trata-se, pois, de uma questão da maior importância em todos os países. Existe uma literatura consideravelmente grande em várias línguas. No Brasil, tem havido tentativas de levar ao público a terminologia correta para uso na abordagem de assuntos de deficiência a fim de que desencorajemos práticas discriminatórias e construamos uma verdadeira sociedade inclusiva.

      A seguir, apresentamos várias expressões incorretas seguidas de comentários e dos equivalentes termos corretos, frases corretas e grafias corretas, com o objetivo de subsidiar o trabalho de estudantes de qualquer grau do sistema educacional, pessoas com deficiência e familiares, profissionais de diversas áreas (reabilitação, educação, mídia, esportes, lazer etc.), que necessitam falar e escrever sobre assuntos de pessoas com deficiência no seu dia-a-dia. Ouvimos e/ou lemos esses termos incorretos em livros, revistas, jornais, programas de televisão e de rádio, apostilas, reuniões, palestras e aulas.

      A enumeração de cada expressão incorreta servirá para direcionar o leitor de uma expressão para outra quando os comentários forem os mesmos para diferentes expressões (ou pertinentes entre si), evitando-se desta forma a repetição dos comentários.

       

      1. adolescente normal                                                                                            

      Desejando referir-se a um adolescente (uma criança ou um adulto) que não possua uma deficiência, muitas pessoas usam as expressões adolescente normal, criança normal e adulto normal. Isto acontecia muito no passado, quando a desinformação e o preconceito a respeito de pessoas com deficiência eram de tamanha magnitude que a sociedade acreditava na normalidade das pessoas sem deficiência. Esta crença fundamentava-se na idéia de que era anormal a pessoa que tivesse uma deficiência. A normalidade, em relação a pessoas, é um conceito questionável e ultrapassado. TERMOS CORRETOS: adolescente (criança, adulto) sem deficiência ou, ainda, adolescente (criança, adulto) não-deficiente.

       

      2. aleijado; defeituoso; incapacitado; inválido

      Estes termos eram utilizados com freqüência até a década de 80.  A partir de 1981, por influência do Ano Internacional das Pessoas Deficientes, começa-se a escrever e falar pela primeira vez a expressão pessoa deficiente. O acréscimo da palavra pessoa, passando o vocábulo deficiente para a função de adjetivo, foi uma grande novidade na época. No início, houve reações de surpresa e espanto diante da palavra pessoa: “Puxa, os deficientes são pessoas!?” Aos poucos, entrou em uso a expressão pessoa portadora de deficiência, freqüentemente reduzida para portadores de deficiência. Por volta da metade da década de 90, entrou em uso a expressão pessoas com deficiência, que permanece até os dias de hoje. Consultar SASSAKI (2003). Ver os itens 47 e 48.

       

      3. “apesar de deficiente, ele é um ótimo aluno

      Na frase acima há um preconceito embutido: ‘A pessoa com deficiência não pode ser um ótimo aluno’. FRASE CORRETA: “ele tem deficiência e é um ótimo aluno”.

       

      4. “aquela criança não é inteligente

      Todas as pessoas são inteligentes, segundo a Teoria das Inteligências Múltiplas. Até o presente, foi comprovada a existência de nove tipos de inteligência: lógico-matemática, verbal-lingüística, interpessoal, intrapessoal, musical, naturalista, corporal-cinestésica e visual-espacial (GARDNER, 2000). Consultar ANTUNES (1998, 1999). FRASE CORRETA: “aquela criança é menos desenvolvida na inteligência [por ex.] lógico-matemática”. 

       

      5. cadeira de rodas elétrica

      Trata-se de uma cadeira de rodas equipada com um motor. TERMO CORRETO: cadeira de rodas motorizada.

       

      6. ceguinho

      O diminutivo ceguinho denota que o cego não é tido como uma pessoa completa. TERMOS CORRETOS: cego; pessoa cega; pessoa com deficiência visual.  Ver o item 59.

       

      7. classe normal

      TERMOS CORRETOS: classe comum; classe regular. No futuro, quando todas as escolas se tornarem inclusivas, bastará o uso da palavra classe sem adjetivá-la.  Ver os itens 25 e 51.

       

      8. criança excepcional

      TERMOS CORRETOS: criança com deficiência intelectual, criança com deficiência mental. Excepcionais foi o termo utilizado nas décadas de 50, 60 e 70 para designar pessoas com deficiência intelectual. Com o surgimento de estudos e práticas educacionais nas décadas de 80 e 90 a respeito de altas habilidades ou talentos extraordinários, o termo excepcionais passou a referir-se tanto a pessoas com inteligências múltiplas acima da média [pessoas superdotadas ou com altas habilidades e gênios] quanto a pessoas com inteligência lógico-matemática abaixo da média [pessoas com deficiência intelectual] ¾ daí surgindo, respectivamente, os termos excepcionais positivos e excepcionais negativos, de raríssimo uso. Consultar SASSAKI (2003).

       

      9. defeituoso físico

      Defeituoso, aleijado e inválido são palavras muito antigas e eram utilizadas com freqüência até o final da década de 70. O termo deficiente, quando usado como substantivo (por ex., o deficiente físico), está caindo em desuso. TERMO CORRETO: pessoa com deficiência física. Ver os itens 10 e 11.

       

      10. deficiências físicas (como nome genérico englobando todos os tipos de deficiência).

      TERMO CORRETO: deficiências (como nome genérico, sem especificar o tipo, mas referindo-se a todos os tipos). Alguns profissionais, não-familiarizados com o campo da reabilitação, acreditam que as deficiências físicas são divididas em motoras, visuais, auditivas e mentais. Para eles, deficientes físicos são todas as pessoas que têm deficiência de qualquer tipo, o que é um equívoco. A deficiência física, propriamente dita, consiste na “alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções” (arts. 5º e 70, Decreto nº 5.296, 2/12/04). Consultar BRASIL (2004). Ver os itens 9 e 11.

       

      11. deficientes físicos (quando se referir a pessoas com qualquer tipo de deficiência).

      TERMO CORRETO: pessoas com deficiência (sem especificar o tipo de deficiência). Ver os itens 9 e 10.

       

      12. deficiência mental leve, moderada, severa, profunda

      TERMO CORRETO: deficiência intelectual (sem especificar nível de comprometimento). A partir da Declaração de Montreal sobre Deficiência Intelectual, aprovada em 6/10/04 pela Organização Mundial de Saúde (OMS, 2004), em conjunto com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o termo “deficiência mental” passou a ser “deficiência intelectual”. Antes, em 1992, a Associação Americana de Deficiência Mental adotou uma nova conceituação da deficiência intelectual (até então denominada “deficiência mental”), considerando-a não mais como um traço absoluto da pessoa que a tem e sim como um atributo que interage com o seu meio ambiente físico e humano, o qual deve adaptar-se às necessidades especiais dessa pessoa, provendo-lhe o apoio intermitente, limitado, extensivo ou permanente de que ela necessita para funcionar em 10 áreas de habilidades adaptativas: comunicação, autocuidado, habilidades sociais, vida familiar, uso comunitário, autonomia, saúde e segurança, funcionalidade acadêmica, lazer e trabalho. Consultar RIO DE JANEIRO (c. 2001). A classificação em leve, moderada, severa e profunda foi instituída pela OMS em 1968 e perdurou até 2004. Consultar BRASIL (2004). Ver os itens 35 e 50.

       

      13. deficiente mental (quando se referir a uma pessoa com transtorno mental)

      TERMOS CORRETOS: pessoa com transtorno mental, paciente psiquiátrico. Consultar BRASIL (2001), “lei sobre os direitos das pessoas com transtorno mental.

       

      14. doente mental (quando se referir a uma pessoa com deficiência intelectual)

      TERMO CORRETO: pessoa com deficiência intelectual (esta deficiência ainda é conhecida como deficiência mental). O termo deficiente, usado como substantivo (por ex.: o deficiente intelectual), tende a desaparecer, exceto em títulos de matérias jornalísticas por motivo de economia de espaço. Consultar RIO DE JANEIRO (c. 2001).

       

      15. “ela é cega mas mora sozinha

      Na frase acima há um preconceito embutido: ‘Todo cego não é capaz de morar sozinho’. FRASE CORRETA: “ela é cega e mora sozinha

       

      16. “ela é retardada mental mas é uma atleta excepcional

      Na frase acima há um preconceito embutido: ‘Toda pessoa com deficiência mental não tem capacidade para ser atleta’. FRASE CORRETA: “ela tem deficiência mental [intelectual] e se destaca como atleta

       

      17. “ela é surda [ou cega], mas não é retardada mental

      A frase acima contém um preconceito: ‘Todo surdo ou cego tem retardo mental’. Retardada mental, retardamento mental e retardo mental são termos do passado. O adjetivo “mental”, no caso de deficiência, mudou para “intelectual” a partir de 2004. Ver o item 12.  FRASE CORRETA: ela é surda[ou cega] e não tem deficiência intelectual”. 

       

      18. “ela foi vítima de paralisia infantil

      A poliomielite já ocorreu nesta pessoa (por ex., ‘ela teve pólio’). Enquanto a pessoa estiver viva, ela tem seqüela de poliomielite. A palavra vítima provoca sentimento de piedade. FRASES CORRETAS: ela teve [flexão no passado] paralisia infantil e/ou ela tem [flexão no presente] seqüela de paralisia infantil”.

       

      19. “ela teve paralisia cerebral (quando se referir a uma pessoa viva no presente)

      A paralisa cerebral permanece com a pessoa por toda a vida. FRASE CORRETA: ela tem paralisia cerebral”.    

       

      20. ele atravessou a fronteira da normalidade quando sofreu um acidente de carro e ficou deficiente”

      A normalidade, em relação a pessoas, é um conceito questionável. A palavra sofrer coloca a pessoa em situação de vítima e, por isso, provoca sentimentos de piedade. FRASE CORRETA: “ele teve um acidente de carro que o deixou com uma deficiência”.

       

      21. ela foi vítima da pólio

      A palavra vítima provoca sentimento de piedade. TERMOS CORRETOS: pólio, poliomielite e paralisia infantil. FRASE CORRETA: ela teve pólio

       

      22. “ele é surdo-cego

      GRAFIA CORRETA: ele é surdocego”.  Também podemos dizer ou escrever: ele tem surdocegueira”.  Ver o item 55.  

       

      23. ele manca com bengala nas axilas”

      FRASE CORRETA: ele anda com muletas axilares”. No contexto coloquial, é correto o uso do termo muletante para se referir a uma pessoa que anda apoiada em muletas.

       

       

      24. ela sofre de paraplegia” [ou de paralisia cerebral ou de seqüela de poliomielite]

      A palavra sofrer coloca a pessoa em situação de vítima e, por isso, provoca sentimentos de piedade. FRASE CORRETA: ela tem paraplegia [ou paralisia cerebral ou seqüela de poliomielite].

       

      25. escola normal

      No futuro, quando todas as escolas se tornarem inclusivas, bastará o uso da palavra escola sem adjetivá-la. TERMOS CORRETOS: escola comum; escola regular. Ver os itens 7 e 51.

       

      26. esta família carrega a cruz  de ter um filho deficiente”

      Nesta frase há um estigma embutido: ‘Filho deficiente é um peso morto para a família’. FRASE CORRETA: esta família tem um filho com deficiência”.

       

      27. “infelizmente, meu primeiro filho é deficiente; mas o segundo é normal”

      A normalidade, em relação a pessoas, é um conceito questionável, ultrapassado. E a palavra infelizmente reflete o que a mãe pensa da deficiência do primeiro filho: ‘uma coisa ruim’. FRASE CORRETA: tenho dois  filhos:  o primeiro tem deficiência e o segundo não tem”.

       

      28. intérprete do LIBRAS

      TERMO CORRETO: intérprete da Libras (ou de Libras).  GRAFIA CORRETA: Libras.  Libras é sigla de Língua de Sinais Brasileira: Li = Língua de Sinais, bras = Brasileira. “Libras é um termo consagrado pela comunidade surda brasileira, e com o qual ela se identifica. Ele é consagrado pela tradição e é extremamente querido por ela. A manutenção deste termo indica nosso profundo respeito para com as tradições deste povo a quem desejamos ajudar e promover, tanto por razões humanitárias quanto de consciência social e cidadania. Entretanto, no índice lingüístico internacional os idiomas naturais de todos os povos do planeta recebem uma sigla de três letras como, por exemplo, ASL (American Sign Language). Então será necessário chegar a uma outra sigla. Tal preocupação ainda não parece ter chegado na esfera do Brasil”, segundo CAPOVILLA (2001). É igualmente aceita a sigla LSB (Língua de Sinais Brasileira). A rigor, na grafia por extenso, quando se tratar da disciplina Língua de Sinais Brasileira, escreve-se em maiúsculo a letra inicial de cada uma dessas palavras. Mas, quando se referir ao substantivo composto, grafa-se “língua de sinais brasileira”, tudo em caixa baixa.  Ver os itens 31, 32 e 33.

       

      29. inválido (quando se referir a uma pessoa que tenha uma deficiência)

      A palavra inválido significa sem valor. Assim eram consideradas as pessoas com deficiência desde a Antiguidade até o final da Segunda Guerra Mundial. TERMO CORRETO:  pessoa com deficiência.

       

      30. lepra; leproso; doente de lepra

      TERMOS CORRETOS: hanseníase; pessoa com hanseníase; doente de hanseníase.  Prefira o termo as pessoas com hanseníase ao termo os hansenianos.  A lei federal nº 9.010, de 29/3/95, proíbe a utilização da palavra lepra e seus derivados, na linguagem empregada nos documentos oficiais. Alguns dos termos derivados e suas respectivas versões oficiais são: “leprologia (hansenologia), leprologista (hansenologista), leprosário ou leprocômio (hospital de dermatologia), lepra lepromatosa (hanseníase virchoviana), lepra tuberculóide (hanseníase tuberculóide), lepra dimorfa (hanseníase dimorfa), lepromina (antígeno de Mitsuda), lepra indeterminada (hanseníase indeterminada)”.  A palavra hanseníase deve ser pronunciada com o h mudo [como em haras, haste, harpa]. Consultar BRASIL (1995). Mas, pronuncia-se o nome Hansen (do médico e botânico norueguês Armauer Gerhard Hansen) com o h aspirado.

       

      31. LIBRAS - Linguagem Brasileira de Sinais

      GRAFIA CORRETA: Libras. TERMO CORRETO: Língua de sinais brasileira. Trata-se de uma língua e não de uma linguagem. Segundo CAPOVILLA [comunicação pessoal], Língua de Sinais Brasileira é preferível a Língua Brasileira de Sinais por uma série imensa de razões. Uma das mais importantes é que Língua de Sinais é uma unidade, que se refere a uma modalidade lingüística quiroarticulatória-visual e não oroarticulatória-auditiva. Assim, há Língua de Sinais Brasileira. porque é a língua de sinais desenvolvida e empregada pela comunidade surda brasileira. Não existe uma Língua Brasileira, de sinais ou falada”. Observe-se o título do livro Dicionário enciclopédico trilíngüe da língua de sinais brasileira, v. I e II (CAPOVILLA & RAPHAEL, 2001). Ver os itens 28, 32 e 33.

       

      32. língua dos sinais

      TERMO CORRETO: língua de sinais. Trata-se de uma língua viva e, por isso, novos sinais sempre surgirão. A quantidade total de sinais não pode ser definitiva. Ver os itens 28, 31 e 33.

       

      33. linguagem de sinais       

      TERMO CORRETO: língua de sinais. A comunicação sinalizada dos e com os surdos constitui um língua e não uma linguagem. Já a comunicação por gestos, envolvendo ou não pessoas surdas, constitui uma linguagem gestual. Uma outra aplicação do conceito de linguagem se refere ao que as posturas e atitudes humanas comunicam não-verbalmente, conhecido como a linguagem corporal. Ver os itens 28, 31 e 32.

       

      34. Louis Braile

      GRAFIA CORRETA: Louis Braille. O criador do sistema de escrita e impressão para cegos foi o educador francês Louis Braille (1809-1852), que era cego. Ver os itens 52 e 53.

       

      35. mongolóide; mongol

      TERMOS CORRETOS: pessoa com síndrome de Down, criança com Down, uma criança Down. As palavras mongol e mongolóide refletem o preconceito racial da comunidade científica do século 19. Em 1959, os franceses descobriram que a síndrome de Down era um acidente genético. O termo Down vem de John Langdon Down, nome do médico inglês que identificou a síndrome em 1866. “A síndrome de Down é uma das anomalias cromossômicas mais freqüentes encontradas e, apesar disso, continua envolvida em idéias errôneas... Um dos momentos mais importantes no processo de adaptação da família que tem uma criança com síndrome de Down é aquele em que o diagnóstico é comunicado aos pais, pois esse momento pode ter grande influência em sua reação posterior.” (MUSTACCHI, 2000). Consultar PROJETO DOWN (s/d). Ver os itens 12 e 50.

       

      36. mudinho

      Quando se refere ao surdo, a palavra mudo não corresponde à realidade dessa pessoa. O diminutivo mudinho denota que o surdo não é tido como uma pessoa completa. TERMOS CORRETOS:  surdo; pessoa surda; pessoa com deficiência auditiva. Há casos de pessoas que ouvem (portanto, não são surdas) mas têm um distúrbio da fala (ou deficiência da fala) e, em decorrência disso, não falam.  Ver os itens 46, 56 e 57. 

       

      37. necessidades educativas especiais

      TERMO CORRETO: necessidades educacionais especiais. A palavra educativo significa algo que educa. Ora, necessidades não educam; elas são educacionais, ou seja, concernentes à educação” (SASSAKI, 1999). O termo necessidades educacionais especiais foi adotado pelo Conselho Nacional de Educação / Câmara de Educação Básica (Resolução nº 2, de 11-9-01, com base no Parecer CNE/CEB nº 17/2001, homologado pelo MEC em 15-8-01). Esta Resolução, durante o ano de 2005, está sendo reformulada pelo CNE. Consultar CNE (2001).

       

      38. o epilético (ou a pessoa epilética)

      TERMOS CORRETOS: a pessoa com epilepsia, a pessoa que tem epilepsia. Evite “o epilético”, “a pessoa epilética” e suas flexões em gênero e número.

       

      39. o incapacitado (ou a pessoa incapacitada)

      TERMO CORRETO: a pessoa com deficiência. A palavra incapacitado é muito antiga e era utilizada com freqüência até a década de 80. Evite “o incapacitado”, “a pessoa incapacitada” e suas flexões em gênero e número.

       

      40. o paralisado cerebral (ou a pessoa paralisada cerebral)

      TERMO CORRETO: a pessoa com paralisia cerebral. Evite “o paralisado cerebral”, “a pessoa paralisada cerebral” e suas flexões em gênero e número.

       

      41. “paralisia cerebral é uma doença”

      FRASE CORRETA: “paralisia cerebral é uma condição” Muitas pessoas confundem doença com deficiência.

       

      42. pessoa normal

      TERMO CORRETO: pessoa sem deficiência; pessoa não-deficiente. A normalidade, em relação a pessoas, é um conceito questionável e ultrapassado.

       

      43. pessoa presa  [confinada, condenada] a uma cadeira de rodas

      TERMOS CORRETOS: pessoa em cadeira de rodas; pessoa que anda em cadeira de rodas; pessoa que usa cadeira de rodas. Os termos presa, confinada e condenada provocam sentimentos de piedade. No contexto coloquial, é correto o uso dos termos cadeirante e chumbado.

       

      44. pessoas ditas deficientes

      TERMO CORRETO: pessoas com deficiência. A palavra ditas, neste caso, funciona como eufemismo para negar ou suavizar a deficiência, o que é preconceituoso.

       

      45. pessoas ditas normais

      TERMOS CORRETOS: pessoas sem deficiência; pessoas não-deficientes. Neste caso, o termo ditas é utilizado para contestar a normalidade das pessoas, o que se torna redundante nos dias de hoje.

       

      46. pessoa surda-muda

      GRAFIAS CORRETAS: pessoa surda ou, dependendo do caso, pessoa com deficiência auditiva. Quando se refere ao surdo, a palavra mudo não corresponde à realidade dessa pessoa. Diferencia-se entre deficiência auditiva parcial (perda de 41 decibéis) e deficiência auditiva total (ou surdez, cuja perda é superior a 41 decibéis), perdas essas aferidas por audiograma nas freqüências de 500Hz, 2.000Hz e 3.000Hz, segundo o Decreto nº 5.296, de 2/12/05, arts. 5º e 70 (BRASIL, 2005). Ver os itens 36, 56 e 57.

       

      47. portador de deficiência

      TERMO CORRETO: pessoa com deficiência. No Brasil, tornou-se bastante popular, acentuadamente entre 1986 e 1996, o uso do termo portador de deficiência (e suas flexões no feminino e no plural). Pessoas com deficiência vêm ponderando que elas não portam deficiência; que a deficiência que elas têm não é como coisas que às vezes portamos e às vezes não portamos (por exemplo, um documento de identidade, um guarda-chuva). O termo preferido passou a ser pessoa com deficiência. Aprovados após debate mundial, os termos “pessoa com deficiência” e “pessoas com deficiência” são utilizados no texto da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, em fase final de elaboração pelo Comitê Especial da ONU. Consultar SASSAKI (2003). Ver os itens 2 e 48.

       

      48. PPD’s

      GRAFIA CORRETA: PPDs. Não se usa apóstrofo para designar o plural de siglas. A mesma regra vale para siglas como ONGs (e não ONG’s). No Brasil, tornou-se bastante popular, acentuadamente entre 1986 e 1996, o uso do termo pessoas portadoras de deficiência. Hoje, o termo preferido passou a ser pessoas com deficiência, motivando o desuso da sigla PPDs. Devemos evitar o uso de siglas em seres humanos. Mas, torna-se necessário usar siglas em circunstâncias pontuais, como em gráficos, quadros, colunas estreitas, manchetes de matérias jornalísticas etc. Nestes casos, a sigla recomendada é PcD, significando “pessoa com deficiência” ou “pessoas com deficiência”. Esta construção é a mesma que está sendo um consenso atualmente em âmbito mundial. Em espanhol: PcD (persona con discapacidad), tanto no singular como no plural, sem necessidade do “s” após PcD. Em inglês: PwD, também invariável em número (person with a disability, persons with disabilities, people with disabilities). Consultar SASSAKI (2003). Ver os itens 2 e 47.

       

      49. quadriplegia; quadriparesia

      TERMOS CORRETOS: tetraplegia; tetraparesia. No Brasil, o elemento morfológico tetra tornou-se mais utilizado que o quadri. Ao se referir à pessoa, prefira o termo pessoa com tetraplegia (ou tetraparesia) no lugar de o tetraplégico ou o tetraparético. Consultar BRASIL (2004).

       

      50. retardo mental, retardamento mental

      TERMOS CORRETOS: deficiência intelectual. São pejorativos os termos retardado mental, mongolóide, mongol, pessoa com retardo mental, portador de retardamento mental, portador de mongolismo etc. Tornaram-se obsoletos, desde 1968, os termos: deficiência mental dependente (ou custodial), deficiência mental treinável (ou adestrável), deficiência mental educável. Ver os itens 12 e 35.

       

      51. sala de aula normal

      TERMO CORRETO: sala de aula comum. Quando todas as escolas forem inclusivas, bastará o termo sala de aula sem adjetivá-lo. Ver os itens 7 e 25.

       

      52. sistema inventado por Braile

      GRAFIA CORRETA: sistema inventado por Braille. O nome Braille (de Louis Braille, inventor do sistema de escrita e impressão para cegos) se escreve com dois l (éles). Braille nasceu em 1809 e morreu aos 43 anos de idade. Ver os itens 34, 53 e 58.

       

      53. sistema Braille

      GRAFIA CORRETA: sistema braile. Conforme MARTINS (1990), grafa-se Braille somente quando se referir ao educador Louis Braille. Por ex.: ‘A casa onde Braille passou a infância (...)’. Nos demais casos, devemos grafar: [a] braile (máquina braile, relógio braile, dispositivo eletrônico braile, sistema braile, biblioteca braile etc.) ou [b] em braile (escrita em braile, cardápio em braile, placa metálica em braile, livro em braile, jornal em braile, texto em braile etc.). NOTA: Em 10/7/05, a Comissão Brasileira do Braille (CBB) recomendou a grafia “braille”, com “b” minúsculo e dois “l” (éles), respeitando a forma original francesa, internacionalmente empregada (DUTRA, 2005), exceto quando nos referirmos ao educador Louis Braille. Ver os itens 34, 52 e 58.

       

      54. “sofreu um acidente e ficou incapacitado”

      FRASE CORRETA: “teve um acidente e ficou deficiente”. A palavra sofrer coloca a pessoa em situação de vítima e, por isso, provoca sentimentos de piedade.

       

      55. surdez-cegueira

      GRAFIA CORRETA: surdocegueira. No que se refere à comunicação das (e com) pessoas surdocegas, existem a libras tátil (libras na palma das mãos) ou o tadoma (pessoa surdocega coloca sua mão no rosto do interlocutor, com o polegar tocando suavemente o lábio inferior e os outros dedos pressionando levemente as cordas vocais). O método tadoma foi utilizado pela primeira vez nos Estados Unidos, em 1926, quando Sophia Alcorn conseguiu comunicar-se com os surdocegos Tad e Oma, nomes que deram origem à palavra “tadoma”. Ver o item 22.

       

      56. surdinho

      TERMOS CORRETOS: surdo; pessoa surda; pessoa com deficiência auditiva. O diminutivo surdinho denota que o surdo não é tido como uma pessoa completa. Os próprios cegos gostam de ser chamados cegos e os surdos de surdos, embora eles não descartem os termos pessoas cegas e pessoas surdas. Ver os itens 36, 46 e 57.

       

      57. surdo-mudo

      GRAFIAS CORRETAS: surdo; pessoa surda; pessoa com deficiência auditiva. Quando se refere ao surdo, a palavra mudo não corresponde à realidade dessa pessoa. Ver os itens 36, 46 e 56.

       

      58. texto (ou escrita, livro, jornal, cardápio, placa metálica) em Braille

      GRAFIAS CORRETAS: texto em braile; escrita em braile; livro em braile; jornal em braile; cardápio em braile; placa metálica em braile. Consultar DUTRA (2005). Ver NOTA no item 53.

       

      59. visão sub-normal

      GRAFIA CORRETA: visão subnormal. TERMO CORRETO: baixa visão. Existem quatro condições de deficiência visual: 1. cegueira (acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica); 2. baixa visão (acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica); 3. casos cuja somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60º; 4. ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores, de acordo com o Decreto nº 5.296, de 2/12/04, arts. 5º e 70 (BRASIL, 2004). Ver o item 6.

       

       

      REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

       

      ANTUNES, Celso. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências. 3.ed. Petrópolis: Vozes, 1999.

      _____. As inteligências múltiplas e seus estímulos. Campinas: Papirus, 1998.

      BRASIL. Decreto nº 5.296, 2/12/04, arts. 5º e 70 [Lei da Acessibilidade].

      _____. Lei nº 10.216, 6/4/01 [Lei do Transtorno Mental].

      _____. Lei federal nº 9.010, 29/3/95 [Lei da Hanseníase].

      CAPOVILLA, Fernando César. Comunicação pessoal por e-mail em 6/6/01.

      CAPOVILLA, Fernando César, RAPHAEL, Walkiria Duarte. Dicionário enciclopédico trilíngüe da língua de sinais brasileira, v. I e II. São Paulo: Edusp, 2001.

      CNE. Resolução nº 2, 11/9/01.

      DUTRA, Claudia Pereira. Parecer sobre a grafia da palavra “braille”. Benjamin Constant, Rio de Janeiro, ano 11, nº 31, agosto 2005, p. 27.

      GARDNER, Howard. Inteligência: um conceito reformulado [Intelligence reframed]. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.

      MARTINS, Eduardo. Manual de redação e estilo. São Paulo: O Estado de S.Paulo, 1990, p. 313.

      MUSTACCHI, Zan. Síndrome de Down. In: MUSTACCHI, Zan, PERES, Sergio. Genética baseada em evidências: síndromes e heranças. São Paulo: CID, 2000, p. 880.

      OMS. Declaração de Montreal sobre Deficiência Intelectual. Montreal, Canadá, 4-6 outubro 2004.

      PROJETO DOWN. Você diz mongolóide ou mongol. Nós dizemos síndrome de Down. Seus amigos preferem chamá-lo de Bruno. São Paulo: Centro de Informação e Pesquisa da Síndrome de Down, s/d. (folheto)

      RIO DE JANEIRO. Identificando o aluno com deficiência mental: critérios e parâmetros. Rio de Janeiro: Coordenação de Educação Especial, Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro, c. 2001.

      SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. 5.ed. Rio de Janeiro: WVA, 2004.

      _____. Portadores de deficiência ou pessoas com deficiência? Recife: Encontrão 2000 [evento realizado em 3 a 6 setembro 2000].  São Paulo, julho de 2003.

      _____. Como chamar as pessoas que têm deficiência. São Paulo: RNR, 2003.

       

       

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      COMPORTAMENTOS INCLUSIVOS

      DIANTE DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

       

      Romeu Kazumi Sassaki

      São Paulo, dezembro de 2005

       

       

      Evidências no dia-a-dia nos mostram que existe um interesse, cada vez mais generalizado dentro da população, em conhecer e relacionar-se corretamente com as pessoas que têm uma deficiência.

       

      Palestras, cursos, campanhas, livros, folhetos, revistas – em todas as partes da sociedade constatamos mensagens escritas, faladas, desenhadas e dramatizadas ensinando as formas corretas de se interagir com pessoas cuja deficiência é bastante variada e cuja presença é notada com mais freqüência a cada dia que passa.

       

      Neste artigo, apresento uma síntese desses comportamentos inclusivos diante de pessoas com deficiência, parte deles transcrita e/ou adaptada de inúmeros textos publicados (ver Bibliografia consultada) e parte aprendida em minha experiência profissional dentro do campo da reabilitação profissional, bem como em minha atuação no movimento de direitos, nos últimos 45 anos.

       

      Dicas gerais diante de uma pessoa com qualquer tipo de deficiência

       

      ü     Converse com ela respeitosamente, sabendo que ambos desejam ser respeitados como seres humanos.

      ü     Comporte-se de igual para igual, ou seja, considerando que vocês dois possuem a mesma dignidade.

      ü     Aceite a outra pessoa como ela é, assim como você espera ser aceito do jeito que você é.

      ü     Ofereça ajuda sempre que notar que a pessoa parece necessitá-la. Pergunte antes de ajudar e jamais insista em ajudar. Se ela aceitar a ajuda, deixe que ela lhe diga como quer ser ajudada.

      ü     Lembre-se de que as pessoas com deficiência têm os mesmos direitos garantidos a todos os povos na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Constituição de cada país.

       

      Diante de uma pessoa com deficiência física

       

      1.      Que usa cadeira de rodas

       

      ü     Não se apóie na cadeira de rodas, nem com as mãos nem com os pés. A cadeira de rodas é uma extensão do corpo da pessoa que a utiliza.

      ü     Não receie em falar as palavras “ande”, “corra” e “caminhe”. As próprias pessoas com deficiência física também as utilizam.

      ü     Se a conversa for demorar, sente-se num banco ou sofá de modo que seus olhos fiquem no mesmo nível do olhar da pessoa em cadeira de rodas. Para uma pessoa sentada, não é confortável ficar olhando para cima durante um período relativamente longo.

      ü     Ao ajudar uma pessoa em cadeira de rodas a descer uma rampa ou degraus, use a marcha à ré, para evitar que, pela excessiva inclinação, a pessoa perca o equilíbrio e caia para frente.

      ü     Ande na mesma velocidade do movimento da cadeira de rodas.

      ü     Ao planejar eventos, providencie acessibilidade arquitetônica em todos os recintos.

       

      2.      Que usa muletas

       

      ü     Tome cuidado para não tropeçar nas muletas.

      ü     Ao acomodar as muletas, após a pessoa sentar-se, deixe-as sempre ao alcance das mãos dela.

      ü     Ande no mesmo ritmo da marcha da pessoa.

       

      3.      Que tenha necessidade especial no uso dos braços e mãos e do corpo em geral

       

      ü     Siga as cinco dicas gerais, acima indicadas.

      ü     Esteja atento às particularidades de cada tipo de deficiência física.

       

      Diante de uma pessoa com deficiência visual

       

      1.      Pessoa cega

       

      ü     Se andar com uma pessoa cega, deixe que ela segure seu braço. Não a empurre; pelo movimento de seu corpo, ela saberá o que fazer.

      ü     Em lugares estreitos para duas pessoas caminharem, ponha o seu braço para trás de modo que a pessoa cega possa seguir você.

      ü     Se estiver com ela durante a refeição, pergunte-lhe se quer auxílio para cortar a carne, o frango ou para adoçar o café, e explique-lhe a posição dos alimentos no prato.

      ü     Num restaurante, é de boa educação que você leia o cardápio e os preços, se a pessoa cega assim o desejar.

      ü     Se for auxiliar a pessoa cega a atravessar a rua, pergunte-lhe antes se ela necessita de ajuda e, em caso positivo, atravesse-a em linha reta, senão ela poderá perder a orientação.

      ü     Se ela estiver sozinha, identifique-se sempre ao aproximar-se dela. Nunca empregue brincadeirinhas como: “Adivinha quem é?”.

      ü     Se for orientá-la a sentar-se, coloque a mão da pessoa cega sobre o braço ou encosto da cadeira, e ela será capaz de sentar-se facilmente.

      ü     Se observar aspectos inadequados quanto à aparência da pessoa cega (meias trocadas, roupas pelo avesso, zíper aberto etc.), não tenha receio de avisá-la discretamente a respeito de sua roupa.

      ü     Se conviver com uma pessoa cega, nunca deixe uma porta entreaberta. As portas devem estar totalmente abertas ou completamente fechadas. Conserve os corredores livres de obstáculos. Avise-a se a mobília for mudada de lugar.

      ü     Se você trabalha, estuda ou está em contato social com uma pessoa cega, não a exclua nem minimize a participação dela em eventos ou reuniões. Deixe que a pessoa cega decida sobre tal participação. Trate-a com o mesmo respeito que você demonstra ao tratar uma pessoa que enxerga.

      ü     Se for orientá-la, dê direções do modo mais claro possível. Diga “direita”, “esquerda”, “acima”, “abaixo”, “para frente” ou “para trás”, de acordo com o caminho que ela necessite percorrer. Nunca use termos como “ali”, “lá”.

      ü     Indique as distâncias em metros. Por exemplo: “Uns 10 metros para frente”.

      ü     Se for a um lugar desconhecido para a pessoa cega, diga-lhe, muito discretamente, onde as coisas estão distribuídas no ambiente, os degraus, meios-fios etc.

      ü     Se vocês estiverem numa festa, diga à pessoa cega quais as pessoas presentes e veja se ela encontra pessoas para conversar, de modo que se divirta tanto quanto você.

      ü     Se for apresentá-la a alguém, faça com que ela fique de frente para a pessoa a quem você está apresentando, impedindo que a pessoa cega estenda a mão, por exemplo, para o lado contrário em que se encontra a outra pessoa.

      ü     Se conversar com uma pessoa cega, fale sempre diretamente, e nunca por intermédio de seu companheiro. A pessoa cega pode ouvir tão bem ou melhor que você. Não evite as palavras “veja”, “olhe” e “cego”; use-as sem receio. As pessoas cegas também as usam.

      ü     Quando se afastar da pessoa cega, avise-a, para que ela não fique falando sozinha.

      ü     A pessoa cega não vive num mundo escuro e sombrio. Ela percebe coisas e ambientes e adquire informações através do tato, da audição e do olfato. Ela pode ler e escrever por meio do braile.

      ü     O computador também é um bom aliado, possibilitando à pessoa cega escrever e conferir os textos, ler jornais e revistas, via internet ou livro digitalizado, usando programas específicos (DosVox, Virtual Vision, Jaws, por exemplo) nos quais se fala o que está escrito na tela.

      ü     Com a bengala ou com o cão-guia, a pessoa cega pode caminhar com autonomia, identificando ou desviando-se de degraus, buracos, meio-fio, raízes de árvores, orelhão, postes, objetos protuberantes nos quais ela possa bater a cabeça etc. O cão-guia nunca deverá ser distraído do seu dever de guiar a pessoa cega.

      ü     Ao planejar eventos, providencie material em braile.

       

      2.      Pessoa com baixa visão

       

      ü     Ao se tratar de pessoa com baixa visão, proceda quase das mesmas formas acima indicadas.

      ü     Ao planejar eventos, providencie material impresso com letras ampliadas.

       

      3.      Pessoa surdocega

       

      ü     Em geral, a pessoa com surdocegueira está acompanhada de um guia-intérprete, que utiliza diversos recursos de comunicação como, por exemplo, a libras tátil (libras na palma das mãos) ou o tadoma (pessoa surdocega coloca a mão no rosto do guia-intérprete, com o polegar tocando suavemente o lábio inferior e os outros dedos pressionando levemente as dobras vocais). Assim, pela vibração das dobras vocais, ela consegue entender o que a outra pessoa está falando. Há pessoas surdocegas que apenas não ouvem, mas falam; portanto, ela pode “ouvir” pelo tadoma e falar com a própria voz. Quando entrar numa conversa com uma pessoa surdocega, que utiliza o tadoma, deixe que ela faça o mesmo com você.

       

      Diante de uma pessoa com deficiência auditiva

       

      1.      Pessoa surda

       

      ü     Se quiser falar com uma pessoa surda, sinalize com a mão ou tocando no braço dela. Enquanto estiverem conversando, fique de frente para ela, mantenha contato visual e cuide para que ela possa ver a sua boca para ler os seus lábios. Se você olhar para o outro lado, ela pode pensar que a conversa terminou.

      ü     Não grite. Ela não ouvirá o grito e verá em você uma fisionomia agressiva.

      ü     Se tiver dificuldade para entender o que uma pessoa surda está dizendo, peça que ela repita ou escreva.

      ü     Fale normalmente, a não ser que ela peça para você falar mais devagar.

      ü     Seja expressivo. A pessoa surda não pode ouvir as mudanças de tom da sua voz, por exemplo, indicando gozação ou seriedade. É preciso que você lhe mostre isso através da sua expressão facial, gestos ou dos movimentos do corpo para ela entender o que você quer comunicar.

      ü     Em geral, pessoas surdas preferem ser chamadas “surdos” e não “deficientes auditivos”.

      ü     Se a pessoa surda estiver acompanhada de um intérprete da língua de sinais, fale olhando para ela e não para o intérprete.

      ü     É muito grosseiro passar por entre duas pessoas que estão se comunicando através da língua de sinais, pois isto atrapalha ou impede a conversa.

      ü     Se aprender a língua de sinais brasileira (libras), você estará facilitando a convivência com a pessoa surda.

      ü     Ao planejar um evento, providencie avisos visuais, materiais impressos e intérpretes da língua de sinais.

       

      2.      Pessoa com baixa audição

       

      ü     Ao se tratar de pessoa com baixa audição, proceda quase das mesmas formas indicadas para relacionar-se com pessoas surdas.

      ü     Em geral, as pessoas com baixa audição não gostam de ser chamadas “surdos” e sim “deficientes auditivos”.

       

      Diante de uma pessoa com deficiência da fala

       

      ü     Existem diversas alterações de fala, variando desde as mais simples, como a dificuldade em pronunciar os sons de maneira correta, até as mais complexas, como a perda total da voz, as gagueiras mais graves e os transtornos causados por um problema neurológico, que podem prejudicar tanto a fala como a compreensão.

      ü     Todas estas alterações podem trazer um prejuízo ou até mesmo um impedimento para a comunicação oral.

      ü     Mantenha a calma quando falar com alguém que apresenta alguma dificuldade de comunicação oral. Não tente adivinhar o que ela quer dizer e não a deixe sem resposta.

      ü     Procure olhar no rosto de quem fala; fale pausadamente; use poucas palavras de cada vez; espere a sua vez de falar e só comece quando tiver certeza de que o outro terminou o que tinha a dizer.

      ü     Se não entendeu o que foi falado, não tenha receio de pedir que o outro repita ou escreva. A maior parte das pessoas com dificuldade na fala tem consciência disso e não se incomoda em repetir, desde que encontre alguém realmente interessado em ouvi-la.

      ü     Preste mais atenção no conteúdo da fala do que em sua forma e, principalmente, não discrimine alguém pela maneira dele de falar.

       

      Diante de uma pessoa com deficiência intelectual

       

      ü     Ao dirigir-se a uma pessoa com deficiência intelectual, aja com naturalidade, como você faria com qualquer outra pessoa.

      ü     Não confunda “deficiência intelectual” (deficiência mental) com “transtorno mental” (doença mental).

      ü     A pessoa com deficiência intelectual é, em geral, muito carinhosa e disposta a conversar.

      ü     Procure dar-lhe atenção e tratá-la de acordo com a faixa etária: criança, adolescente, adulta.

      ü     Não a ignore durante conversação. Cumprimente-a e despeça-se dela, como você o faria com outras pessoas.

      ü     Não a superproteja, nem use linguagem infantilizada.

      ü     Deixe que ela tente fazer sozinha tudo o que ela puder. Ajude apenas quando for realmente necessário.

      ü     Entenda que a pessoa com deficiência intelectual aprende mais lentamente. Se você respeitar o ritmo dela e lhe oferecer oportunidade, ela pode desenvolver habilidades, tornar-se produtiva e participar do mundo com dignidade e competência.

       

      Diante de uma pessoa com outras deficiências

       

      ü     Existem pessoas que apresentam uma deficiência que não foi mencionada até aqui. Por exemplo, a deficiência múltipla, que se caracteriza pela presença simultânea de dois ou mais tipos de deficiência acima citados.

      ü     Também existem pessoas com paralisia cerebral, com síndrome de Down, com hiperatividade, com ostomia, com dislexia e assim por diante. Mas, paralisia cerebral, síndromes diversas, hiperatividade, ostomia, dislexia etc. não são tipos de deficiência; são condições que acarretam alguma deficiência.

      ü     Por outro lado, existem pessoas com epilepsia, com hanseníase, com transtorno mental, com autismo, com transtorno de déficit de atenção (TDA) etc. Porém, epilepsia, hanseníase, transtorno mental, autismo, TDA etc. também não constituem tipos de deficiência; são doenças que podem acarretar alguma deficiência.

      ü     Há casos em que uma doença e uma condição estão presentes juntas. Por exemplo, transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

      ü     Podemos, então, comportar-nos diante de uma pessoa com deficiência resultante dessas condições ou doenças, seguindo todas as dicas gerais e algumas das dicas específicas, de acordo com cada caso.

      ü     A questão das condições e doenças como causas de deficiências é polêmica e não encontra um consenso entre especialistas. Por exemplo, a ostomia e a paralisia cerebral foram colocadas como formas de deficiência física, e não como causas, no Decreto nº 5.296, de 2/12/04.

       

      Bibliografia consultada

       

      AGETRAN/SAS. Alerta ao cidadão (cartilha “Viva Seu Bairro – Projeto Multissetorial Integrado”). Campo Grande: Agência Municipal de Transporte e Trânsito / Secretaria Municipal de Assistência Social, c.2005.

      BRASIL. Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004 (Lei da Acessibilidade).  

      CAPOVILLA, F. C., & RAPHAEL, W. D. Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngüe da língua de sinais brasileira. São Paulo, SP: Edusp, 2001. E-mail: capovila@usp.br.

      CEPRED. Como você deve se comportar diante de uma pessoa que... Salvador, BA: Centro Estadual de Prevenção e Reabilitação de Deficiências, c.2004 (folheto adaptado do livreto Handicapés, escrito pelo Movimento de Mulheres Jovens, de Paris, em 16/11/82). E-mail: cepred@saude.ba.gov.br.

      CLEMENTE, Carlos Aparício. Conviva com a diferença. Osasco: Espaço da Cidadania, 2003 (cartilha disponível em http://ecidadania.cjb.net, e-mail: espaco.cidadania@ig.com.br).

      CJGG. Manual para inclusão social das pessoas portadoras de deficiência. Planaltina, DF: Comissão Jovem Gente como a Gente, 2000 (folheto adaptado do livreto Handicapés, escrito pelo Movimento de Mulheres Jovens, de Paris, em 16/11/82). E-mail: comissão.jovem@zaz.com.br

      DUTRA, Luiz Carlos. Pastoral da inclusão: pessoas com deficiência na comunidade cristã. São Paulo: Loyola, 2005.

      FDNC. O que você pode fazer quando encontrar uma pessoa cega. São Paulo: Fundação Dorina Nowill para Cegos, c.2005 (folheto). Site: www.fundacaodorina.org.br, e-mail: info@fundacaodorina.org.br.

      SASSAKI, R. K. Atualizações semânticas na inclusão de pessoas: deficiência mental ou intelectual? Doença ou transtorno mental? Jornal do Sinepe-RJ, ano XIV, n. 88, jul./set. 2005, p. 10-11 e Revista Nacional de Reabilitação, São Paulo, ano V, n. 24, jan./fev. 2002, p. 6-9.

      _____. Nomenclatura na área da surdez. São Paulo, 2004. (texto não-publicado disponível pelo e-mail: romeukf@uol.com.br). 

      _____. Como chamar as pessoas que têm deficiência. In: Vida Independente. São Paulo: RNR, 2003, p. 12-15.

      _____. Terminologia sobre deficiência na era da inclusão. In: Mídia e deficiência, Brasília: Agência de Notícias dos Direitos da Infância e Fundação Banco do Brasil, 2003, p. 160-165.

      _____. Terminologia sobre deficiência na era da inclusão. Revista Nacional de Reabilitação, São Paulo, ano V, n. 24, jan./fev. 2002, p. 6-9.

      SEAD. Dicas para conviver valorizando as diferenças. Recife: Superintendência Estadual de Apoio à Pessoa com Deficiência / Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Social, c.2003 (folheto disponível pelo e-mail: sead@fisepe.pe.gov.br).

       

      C:\Romeu Kazumi Sassaki\Arquivos\Textos de word\Sensibilização - conscientização\

      Comportamentos inclusivos diante de pessoas com deficiência.doc

       

       

       

       

      Nesta entrevista à Nova Escola, a professora Maria Teresa Eglér Mantoan, coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade da Universidade Estadual de Campinas, fala sobre a importância de o educador conhecer bem as leis sobre inclusão e que conquistas já acontecerem na área aqui no Brasil.

       

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http://revistaescola.abril.com.br/multimidia/pag_video/gal_video_246225.shtml

 

 

Educadores como você

Carla anda de cadeira de rodas. George é cego. Rodrigo e Patrícia são surdos. Débora tem síndrome de Down. Além de possuírem algum tipo de deficiência, eles têm mais coisas em comum: cresceram numa época em que inclusão ainda era uma palavra que não significava a total integração à escola e à sociedade de pessoas com necessidades educacionais especiais. Mesmo assim, os cinco lutaram contra preconceitos, conquistaram espaço no mercado de trabalho e hoje são EDUCADORES COMO VOCÊ

http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/pdf/Esp_011/50.pdf

 

Segurança e autonomia

Em escolas projetadas para todos, a altura do mobiliário, o espaço entre as estantes e as mesas, a localização de bebedouros, o tipo de piso, as cores dos ambientes e outros cuidados garantem que as pessoas, não só com deficiência, possam se locomover com SEGURANÇA E AUTONOMIA

http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/pdf/Esp_011/56.pdf

 

Aprendizado mais fácil

Para quem não enxerga ou não consegue se movimentar, equipamentos, objetos e brinquedos inclusivos possibilitam um APRENDIZADO MAIS FÁCIL

http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/pdf/Esp_011/58.pdf
 
 
 

Vídeos

Brincar para todos

 

Este é o título do livro de Mara Campos Siaulys, professora da Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual (Laramara), em São Paulo. Na publicação, ela traz muitas idéias de brinquedos e brincadeiras divertidas para crianças com ou sem deficiência. Assista neste vídeo três sugestões bem criativas e instigantes para a garotada.

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Transtorno Bipolar: você conhece este distúrbio? Como incluir o aluno com este transtorno?

 

O Transtorno Bipolar é um distúrbio psiquiátrico cuja principal característica é uma acentuada oscilação do humor, com alternância entre fases de grande euforia e intensa tristeza.

Estas oscilações podem acarretar prejuízos para o indivíduo chegando a comprometer a qualidade dos relacionamentos pessoais, a performance no trabalho ou mesmo levar ao suicídio. Apesar da gravidade do problema, a doença tem tratamento desde que corretamente diagnosticada.

O distúrbio bipolar geralmente se desenvolve na adolescência, mas os primeiros sintomas às vezes são observados na infância ou mesmo na vida adulta. Os sinais da doença se apresentam na alternância entre os períodos de mania e depressão.

Entre os sintomas da fase de mania, encontram-se: aumento da energia, euforia excessiva, irritabilidade e pouca necessidade de sono . Já nas fases de depressão, o indivíduo apresenta grande tristeza e apatia, sentimento de culpa, dificuldade de concentração, pessimismo, mudança no apetite e ganho ou perda de peso.

“É importante estar atento a seus sintomas para que se possa buscar ajuda o quanto antes e ter acesso ao tratamento adequado”

As origens do transtorno bipolar não são ainda bem conhecidas. Entretanto, a maior parte dos cientistas concorda que as causas do distúrbio são múltiplas, havendo uma interação entre fatores genéticos e ambientais.

Atualmente estão sendo conduzidos estudos que avaliam o funcionamento cerebral das pessoas com o transtorno, tentando esclarecer os componentes neurológicos da doença. Não se pode negar, entretanto, que além do aspecto biológico, as circunstâncias da vida do indivíduo também podem contribuir para o desencadeamento do transtorno.

O transtorno bipolar pode ser tratado e é possível que se alcance uma satisfatória estabilidade do humor. Para tal, são indicadas intervenções medicamentosas e psicoterapêuticas. Durante o tratamento é possível que ocorram oscilações de humor que devem ser imediatamente relatadas ao médico responsável, para que o tratamento possa ser ajustado de acordo com as necessidades de cada um.

Como se nota, o transtorno bipolar pode prejudicar enormemente o bem-estar do indivíduo. Assim, é importante estar atento a seus sintomas para que se possa buscar ajuda o quanto antes e ter acesso ao tratamento adequado, evitando que a doença acarrete prejuízos irreparáveis à vida do indivíduo.

Data de publicação: 13/03/2006

 
Coluna assinada por:
Flávia Leão Fernandes

CRP 06/68043
Psicóloga clínica, Mestre em Psicologia pela Universidade de Londres, Inglaterra e especialista em Psicologia Hospitalar.
 

 

Tatiana Skalski

 

 

 

 

 

 

 

 

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